Confira o artigo do Dr. Cristiano Coelho Ludvig sobre Toxoplasmose Ocular

Toxoplasmose Ocular

 Toxoplasmose ocular é uma das principais causas de perdas visuais em nosso país. Trata-se de uma doença caracterizada por recorrências que podem ocasionar redução visual severa (definitiva ou não).

A transmissão ocorre por ingestão de alimentos como carne mal cozida e/ou verduras mal lavadas. Existe também a transmissão durante a gravidez da mãe para o feto quando esta adquire a infecção na gravidez.

• Características Clínicas

Nem todos os pacientes vão desenvolver doença ocular significativa. O encontro de lesões compatíveis com toxoplasmose em pacientes que nunca souberam que tiveram algum contato com a doença é frequente. Quando ocorrem, os sintomas mais comuns são dor ocular, com ou sem hiperemia (olho vermelho), moscas volantes (presença de manchas na visão, principalmente quando ocorrem de início súbito) e piora da acuidade visual (embaçamento).

O diagnóstico é especificamente clínico, mas o médico pode solicitar exames complementares como sorologia sanguínea, ultrassonografia, retinografia ou angiofluoresceinografia, para confirmar o diagnóstico, afastar o diagnóstico de outras doenças que podem se apresentar de forma semelhante e/ou avaliar presenças de complicações.

O tratamento, quando indicado, envolve uso de antibióticos específicos com duração de aproximadamente 6 a 12 semanas em pacientes imunocompetentes ou mais prolongado em pacientes com sistema imunológico comprometido como transplantados e ou SIDA (Síndrome da Imuno Deficiência Adquirida). Alguns pacientes podem ter tendência à recorrência frequente e neste caso ter indicação de tratamento profilático pra melhor controle.

Entre medicações utilizadas para o tratamento estão antibióticos como Bactrin F, Clindamicina, Pirimetamina, Sulfadiazina e Espiramicina associado ao uso Corticosteróide, geralmente utilizadas em esquemas terapêuticos específicos definidos pelo médico. Nem todos pacientes podem fazer uso das mesmas medicações ou respondem da mesma forma ao tratamento.

Boa parte dos pacientes consegue recuperação total da visão, porém mesmo que o tratamento tenha sido realizado de forma adequada, complicações podem ocorrer em que pode ou não haver alguma perda visual que pode ou não ser permanente. Entre as causas de perda visual permanente após o término do tratamento está a presença de cicatrizes retinocoroidianas, principalmente quando esta acomete a regiões nobres da visão como área da mácula, nervo óptico ou vasos sanguíneos.

Abaixo exemplos presença de lesão em atividade em olho direito (Fig.1), exame normal em olho esquerdo (Fig.2) e por fim um caso de cicatriz macular em olho direito (Fig.3).

Fig.1

 Figura 1

 

 

 

 

 

 

 

Fig.2

 Figura 2

 

 

 

 

 

 

Fig.3

Figura 3

 

 

 

 

 

 

 

Outras complicações que podem levar à perda visual que podem ocorrer em infecções por toxoplasmose são o desenvolvimento de catarata, glaucoma, desenvolvimento de membrana epirretiniana (com ou sem buraco macular), turvação vítrea e/ou descolamento de retina. São situações que podem exigir tratamento específico, muitas vezes com necessidade de intervenção cirúrgica. No caso de ocorrer descolamento de retina, ressalta-se que por ser uma situação muito grave, quando indicado, o tratamento cirúrgico deve ser encarado como urgente, sob risco de perda visual irreversível.

Por tudo isso, fica claro a importância de, quando necessário, iniciar o tratamento o mais precoce possível. Quanto mais cedo o tratamento for iniciado, melhor o resultado visual final e menor a chance de complicações. Uma vez diagnosticada e tratada, exames posteriores periódicos devem ser realizados para acompanhamento e detecção precoce de casos de recorrências. A prevenção é o grande tratamento a ser seguido, principalmente, por mulheres grávidas que nunca tiveram contato com a doença.

 Dr. Cristiano Coelho Ludvig  (CRM-SC 12340 / RQE 8340)