Transplante de Córnea bate recorde em 2019

O Hospital Santa Isabel, em parceria com o Hospital de Olhos de Blumenau, realizou o maior número de transplantes de córneas de sua história em 2019

As doenças da córnea são responsáveis por cerca de 5% dos casos de cegueira reversível no mundo. O transplante de córnea é o tecido mais transplantado em todo o mundo e o procedimento mais realizado para devolver a transparência corneana e restauração da visão. 

O Hospital Santa Isabel (HSI), em parceria com o Hospital de Olhos de Blumenau, realizou o maior número de transplantes de córneas desde que iniciou os procedimentos do tipo no ano 2000: foram 27 procedimentos realizados ao longo do ano 2019. O transplante pode ser eletivo – em casos de doenças crônicas; pode ser em caráter de urgência – quando existe uma infecção que não é controlada por uso de medicamentos; o transplante também pode ser feito após acidentes que tenham afetado a córnea.

Além dos 27 procedimentos realizados em parceria com o HSI, o Hospital de Olhos de Blumenau realizou mais 18 transplantes, totalizando 45 transplantes de córneas em 2019.

De acordo com o Dr. Rodrigo Thiesen Muller, Médico Oftalmologista do Hospital de Olhos de Blumenau e Chefe dos Serviços de Transplantes de Córnea do HSI e do HOB, “o transplante de córnea é indicado às pessoas que não possuem a transparência da córnea, têm alteração na curvatura ou uma doença em uma das camadas da córnea, gerando inchaços”. No caso da transparência da córnea, quando a visão não é corrigida com uso de óculos ou lentes de contato, então o transplante é realizado. A córnea é um tecido, de formato circular e com aproximadamente 12mm de diâmetro e menos de 1mm de espessura. O tecido, para ser saudável, deve ser totalmente transparente e com uma curvatura adequada para realizar o processo de refração dos raios de luz. “Fazendo uma analogia ao relógio de pulso, a córnea seria o vidro transparente”, esclarece o Dr. Rodrigo.

Transplante e pós-operatório

Um transplante de córnea tradicional envolve 16 pontos de sutura, com fios mais finos que um fio de cabelo. O ponto é removido ao longo dos meses seguintes, a partir do segundo ou terceiro mês, chegando a um ano em alguns casos. Durante o período pós-operatório a maioria dos pacientes utiliza apenas medicações na forma de colírios, não necessitando medicações orais.

O procedimento, assim como dos demais órgãos, só é possível por meio da doação espontânea, que consiste na autorização dos familiares de um paciente em que foi confirmada a morte encefálica. Feita a autorização, os pacientes que estão na fila de espera por uma córnea são acionados para o procedimento cirúrgico de transplante. Diferentemente dos transplantes de órgãos sólidos, como por exemplo rim, fígado e coração, o tecido corneano não necessita de compatibilidade entre doador e receptor. O Estado de Santa Catarina possui a maior taxa de doação de órgãos e tecidos do Brasil e uma das maiores do mundo.

Fonte: Comunicação Hospital Santa Isabel / Hospital de Olhos de Blumenau.