Roturas Retinianas

As roturas ou buracos retinianos são pequenos rasgos que geralmente ocorrem na periferia da retina, que é o tecido que reveste o fundo do olho. Elas ocorrem por descolamento do vítreo (o gel que preenche o interior do olho) quando esse se separa da retina, exercendo uma tração e provocando seu rompimento. Essa tração pode ocorrer espontaneamente ou ser provocada por trauma ocular. Outros fatores como doenças inflamatórias do olho, alta miopia, degenerações periféricas da retina e diabetes também podem predispor à rotura da retina. Os principais sintomas presentes em casos de roturas são a visão de flashes de luz e manchas escuras súbitas parecendo sujeira ou “moscas volantes”. Nem todos os casos de tração retiniana irão provocar roturas da retina, mas os pacientes que apresentam sintomas ou história recente de trauma perto dos olhos devem procurar um oftalmologista, para que possam ser submetidos ao exame de mapeamento de retina ou ultrassonografia ocular e instituir o tratamento quando necessário. As roturas retinianas não tratadas, frequentemente, evoluem para o descolamento da retina que pode acarretar perda total da visão. Em casos de rotura diagnosticada, o tratamento geralmente é feito com fotocoagulação a laser de argônio que aumenta a aderência da retina ao fundo do olho evitando o descolamento. Nos casos em que não é possível a aplicação do laser pode ser feita uma crioterapia. Infelizmente, alguns casos de roturas retinianas já se apresentam com descolamento da retina de imediato, necessitando tratamento cirúrgico. Nesses casos, a cirurgia de retinopexia deve ser realizada em tempo hábil, uma vez que o tratamento tardio pode deixar sequelas irreversíveis na visão.   Dr. Marcus Grigato Campos

O que é Uveíte?

Uveíte é uma inflamação da parte dos olhos que acomete o trato uveal, que é composto por: íris (estrutura que dá cor aos olhos), corpo ciliar e coroide (composto basicamente por vasos sanguíneos). Quando ocorre o acometimento inflamatório de uma destas estruturas ou o conjunto das mesmas, denomina-se uveíte. As causas de inflamação do trato uveal podem ser: traumáticas, infecciosas, tumorais e autoimunes. Lacerações corneanas, perfuração ocular, queimaduras químicas e físicas e corpos estranhos intraoculares são exemplos de uveítes traumáticas. Dentre as causas infecciosas, a toxoplasmose destaca-se como a de maior incidência em nosso meio. Metástases ou tumores primários oculares são responsáveis pelas uveítes tumorais ou síndromes de mascaramento. Doenças sistêmicas como artrite reumatóide juvenil, espondiloartropatia soro-negativas, doença de Behçet e outras doenças imunes são etiologias de uveítes autoimunes. O principal sinal de uma uveíte é o olho vermelho, devido ao processo inflamatório – mas pode não acontecer em todos os casos. Inicialmente, o paciente com uveíte pode visualizar pequenos pontos que se movimentam de acordo com a posição do olho, e estes, com a incidência da luz formam pequenas sombras flutuantes na retina, sendo chamados de moscas volantes. Se ocorrer aumento progressivo destas moscas volantes, pode ser um sintoma indicativo de atividade inflamatória. O embaçamento visual e a dor também são sintomas de uveíte. A realização do diagnóstico é o primeiro passo para o tratamento das uveítes. A partir disso traça-se o esquema terapêutico. O tratamento pode ser feito com colírios, medicamentos orais e/ou endovenosos. Em alguns casos, devido ao agente etiológico e a gravidade da inflamação, realiza-se tratamento em regime hospitalar com a internação do paciente e administração de medicamentos. As uveítes são doenças inflamatórias oculares que podem levar à baixa visual e à cegueira quando não tratadas. Podem causar cegueira devido às complicações ocasionadas pelo processo inflamatório que podem acarretar um desarranjo arquitetônico das estruturas intraoculares, levando a uma baixa visual reversível ou irreversível. Catarata, glaucoma, descolamento de retina, membranas retinianas, atrofia óptica, oclusões vasculares e atrofia de globo ocular são exemplos de complicações causadas por uveítes. Essa inflamação acomete indivíduos de qualquer idade, sexo e classe social. O diagnóstico é de essencial importância para o tratamento e prevenção das crises de uveítes. Em casos de olho vermelho, dor, moscas volantes e embaçamento visual, procure seu oftalmologista. Lembre- se: as uveítes têm tratamento, quanto mais precoce o diagnóstico, melhor o prognóstico.   Dr. Cristiano Coelho Ludvig é especialista em Uveítes

Moscas volantes e descolamento do vítreo

No dia a dia da oftalmologia é muito comum atender pacientes que relatam perceber manchas escuras ou “mosquinhas” flutuantes na visão. Estas alterações são mais percebidas em ambientes com mais claridade e boa iluminação e são conhecidas como “moscas volantes”, pois se movimentam de um lado para o outro e parecem acompanhar a visão. As moscas volantes são opacidades que se localizam no vítreo, que é o gel transparente que preenche o segmento posterior do globo ocular e está em contato com a retina. A sensação do paciente é que as manchas estão do lado de fora do olho, no entanto, o que se percebe é a sombra que essas opacidades projetam na retina. Com o passar do tempo, também por influência de outros fatores como trauma e miopia, o vítreo pode se descolar total ou parcialmente da retina. Este processo é natural na grande maioria dos pacientes, porém, em uma pequena porcentagem dos casos, o vítreo pode se descolar e tracionar a retina provocando rasgaduras e até sangramento no interior do olho. Neste momento, o paciente pode perceber um aumento das opacidades flutuantes ou “mosquinhas” e também fotopsias que são flashes luminosos na periferia do campo visual. O paciente deve estar atento a estes sintomas e procurar um oftalmologista, que realizará o exame de fundo do olho com mapeamento da retina e, muitas vezes, com ultrassonografia, com o intuito de identificar lesões que podem levar ao descolamento da retina ou diagnosticar doenças inflamatórias, como as uveítes. Em caso de rasgadura ou ruptura da retina, é indicado como tratamento a fotocoagulação a laser, para diminuir a chance de descolamento e evitar a necessidade de cirurgia. Embora não haja tratamento específico para as “moscas volantes”, e, na maioria das vezes não representem doença grave, o paciente deve ser examinado e orientado sobre os sinais de possíveis complicações.   Dr. Marcus Grigato Campos