No Brasil, a cor da bengala longa ajuda a identificar diferentes condições de deficiência visual. A bengala branca identifica pessoas cegas, a bengala verde identifica pessoas com baixa visão (visão subnormal) e a bengala vermelha e branca identifica pessoas surdocegas. Essa identificação por cores é estabelecida pela Lei nº 14.951/2024.
A diferenciação ajuda a sociedade a reconhecer necessidades distintas e contribui para a autonomia e a mobilidade de quem utiliza a bengala. Neste guia, você vai entender o significado de cada cor, o que determina a legislação brasileira e a diferença entre cegueira e baixa visão.
O que significa cada cor de bengala?
Em resumo:
- Bengala branca: identifica pessoas cegas.
- Bengala verde: identifica pessoas com baixa visão ou visão subnormal.
- Bengala vermelha e branca: identifica pessoas surdocegas.
| Cor da bengala | O que significa |
| Branca | Identifica pessoas cegas |
| Verde | Identifica pessoas com baixa visão (visão subnormal) |
| Vermelha e branca | Identifica pessoas surdocegas, com comprometimentos visual e auditivo |
O que significa a bengala branca?
A bengala branca identifica pessoas cegas. Além de auxiliar na orientação e mobilidade, ela funciona como um sinal de identificação da condição visual da pessoa que a utiliza.
A bengala branca também se tornou internacionalmente associada à autonomia e à independência das pessoas cegas. O dia 15 de outubro marca o Dia Internacional da Bengala Branca, data dedicada à conscientização sobre inclusão, acessibilidade e autonomia.
O que significa a bengala verde?
A bengala verde identifica pessoas com baixa visão, também chamada de visão subnormal. Diferentemente da cegueira, a pessoa com baixa visão mantém algum grau de visão útil, embora apresente uma perda visual importante.
Na prática, algumas pessoas com baixa visão conseguem perceber luzes, formas, cores ou movimentos e utilizar essa visão residual em atividades do cotidiano. As características e o impacto da baixa visão, porém, variam de pessoa para pessoa.
A diferenciação pela cor ajuda a evitar que uma pessoa com baixa visão seja automaticamente identificada como uma pessoa cega.
A bengala verde foi criada em 1996 pela professora argentina Perla Mayo para identificar pessoas com baixa visão e posteriormente passou a ser utilizada em outros países. No Brasil, sua identificação foi estabelecida em lei em 2024.
O que significa a bengala vermelha e branca?
A bengala vermelha e branca identifica pessoas surdocegas, ou seja, pessoas que apresentam comprometimentos visual e auditivo.
A combinação das duas cores permite diferenciar a surdocegueira das demais condições identificadas pela bengala longa e ajuda outras pessoas a compreender que a comunicação e a oferta de auxílio podem exigir abordagens diferentes.
O que a Lei nº 14.951/2024 diz sobre as cores das bengalas?
A Lei nº 14.951, de 5 de agosto de 2024, padronizou no Brasil as cores da bengala longa utilizadas por pessoas com diferentes condições de deficiência visual.
Segundo a legislação:
- a cor branca é destinada às pessoas cegas;
- a cor verde é destinada às pessoas com baixa visão ou visão subnormal;
- a cor vermelha e branca é destinada às pessoas surdocegas.
A lei também trata do acesso à bengala longa. Cabe ao Sistema Único de Saúde (SUS) fornecer a bengala na cor solicitada pela pessoa usuária, conforme sua percepção das barreiras que dificultam sua participação plena e efetiva na sociedade.
Quando necessária, a avaliação da cegueira, baixa visão ou surdocegueira pode ser realizada por equipe multiprofissional e interdisciplinar do sistema público de saúde, considerando diferentes aspectos da condição e das barreiras enfrentadas pela pessoa.
Qual a diferença entre cegueira e baixa visão?
Cegueira e baixa visão não são a mesma condição. Na baixa visão, existe uma perda visual significativa, mas a pessoa mantém algum grau de visão que pode ser utilizado em determinadas atividades. Na cegueira, a perda visual é mais acentuada.
A experiência visual varia muito entre as pessoas. Alguém com baixa visão pode, por exemplo, perceber luz, formas, cores ou movimentos, mas apresentar dificuldade para reconhecer rostos, ler, se deslocar em determinados ambientes ou executar outras tarefas que dependem da visão.
Por isso, a baixa visão não deve ser entendida simplesmente como uma forma mais leve de cegueira. A avaliação oftalmológica e, quando indicada, a reabilitação visual ajudam a identificar as necessidades e possibilidades de cada pessoa.
Nota para revisão médica antes da publicação: validar a definição clínica e funcional de baixa visão adotada neste artigo e a respectiva fonte primária, especialmente caso sejam incluídos valores específicos de acuidade ou campo visual.
Por que existe uma bengala específica para pessoas com baixa visão?
A bengala verde permite identificar que a pessoa apresenta baixa visão e não necessariamente cegueira total.
Antes dessa diferenciação, pessoas com baixa visão que utilizavam uma bengala branca podiam ser interpretadas como cegas, mesmo quando utilizavam sua visão residual para determinadas atividades. Isso podia gerar situações de incompreensão ou constrangimento.
A identificação pela bengala verde ajuda a tornar essa condição mais reconhecível para a sociedade e contribui para que diferentes necessidades sejam compreendidas.
Como conseguir uma bengala pelo SUS?
A Lei nº 14.951/2024 estabelece que o SUS deve fornecer bengalas longas nas cores branca, verde ou vermelha e branca, de acordo com a condição e a solicitação da pessoa usuária.
Quando necessário, a constatação da cegueira, da baixa visão ou da surdocegueira pode ser realizada por uma equipe multiprofissional e interdisciplinar do sistema público de saúde.
Para saber como funciona o acesso ao recurso em sua região, a pessoa pode procurar os serviços públicos de saúde e de reabilitação disponíveis no município.
Por que a bengala é importante para a autonomia?
A bengala longa é um recurso importante para a orientação, mobilidade e autonomia de pessoas cegas, com baixa visão ou surdocegas.
Seu uso pode ajudar na identificação de obstáculos, desníveis e referências do ambiente durante o deslocamento. Ao mesmo tempo, a cor da bengala comunica às outras pessoas uma informação relevante sobre a condição de quem a utiliza.
O uso seguro da bengala pode ser desenvolvido por meio do treinamento de orientação e mobilidade, que ensina técnicas para deslocamento com mais segurança e independência.
Como ajudar uma pessoa que usa bengala?
Ao encontrar uma pessoa usando bengala branca, verde ou vermelha e branca, não presuma que ela precisa de ajuda. Pergunte primeiro se ela deseja auxílio e, em caso positivo, como prefere ser ajudada.
As necessidades variam de pessoa para pessoa. A cor da bengala fornece uma informação sobre a condição visual ou sensorial, mas não indica, por si só, o grau de autonomia daquela pessoa nem determina de que tipo de auxílio ela precisa.
Respeitar a autonomia e seguir a orientação da própria pessoa é a melhor forma de oferecer ajuda.
Baixa visão e cegueira podem ter diferentes causas
A perda visual pode estar relacionada a diferentes doenças e condições oculares. Entre elas estão catarata, glaucoma, retinopatia diabética, degeneração macular relacionada à idade (DMRI), retinose pigmentar e doença de Stargardt.
Na infância, alterações como glaucoma congênito, catarata congênita, retinopatia da prematuridade e toxoplasmose também podem comprometer a visão.
Nem toda perda visual pode ser revertida. Entretanto, algumas condições têm tratamento, e o diagnóstico realizado no momento adequado pode ser importante para preservar a visão existente ou reduzir o avanço de determinadas doenças.
Segundo o primeiro Relatório Mundial sobre a Visão da Organização Mundial da Saúde (OMS), pelo menos 2,2 bilhões de pessoas vivem com deficiência visual ou cegueira no mundo, e pelo menos 1 bilhão apresentam uma deficiência visual que poderia ter sido evitada ou que ainda não havia sido tratada.
No Hospital de Olhos de Blumenau (HOB), o corpo clínico reúne especialistas em catarata, glaucoma, retina, córnea, transplante de córnea, cirurgia refrativa, oftalmopediatria e plástica ocular.
Quando procurar um oftalmologista?
Alterações visuais podem surgir gradualmente e nem sempre são percebidas logo no início. Por isso, mudanças na forma de enxergar devem ser avaliadas por um oftalmologista.
Visão embaçada, dificuldade crescente para ler ou reconhecer detalhes, alteração na percepção das cores ou dificuldades visuais que passam a interferir nas atividades cotidianas são exemplos de situações que merecem atenção.
Nas crianças, o acompanhamento também é importante porque algumas alterações do desenvolvimento visual podem ser percebidas primeiro pelos pais, familiares ou professores.
Além da investigação de sintomas, mantenha as consultas de rotina recomendadas pelo seu oftalmologista.
Conheça os exames oftalmológicos do HOB.
Para agendar uma consulta nas unidades de Blumenau, Gaspar ou Pomerode, entre em contato com a Central de Atendimento do HOB pelo telefone (47) 3322-5000.
Perguntas frequentes sobre as cores das bengalas
Qual é a cor da bengala para pessoas cegas?
A bengala branca identifica pessoas cegas. No Brasil, essa identificação está prevista na Lei nº 14.951/2024.
Qual é a cor da bengala para pessoas com baixa visão?
A bengala verde identifica pessoas com baixa visão ou visão subnormal. A identificação da baixa visão pela cor verde está prevista na Lei nº 14.951/2024.
O que significa a bengala vermelha e branca?
A bengala vermelha e branca identifica pessoas surdocegas, ou seja, pessoas que apresentam comprometimentos visual e auditivo.
Qual a diferença entre a bengala branca e a bengala verde?
A diferença está na condição que cada cor identifica. A bengala branca identifica pessoas cegas, enquanto a bengala verde identifica pessoas com baixa visão ou visão subnormal.
Existe uma lei sobre as cores das bengalas no Brasil?
Sim. A Lei nº 14.951, de 5 de agosto de 2024, estabelece a identificação por cores da bengala longa no Brasil: branca para pessoas cegas, verde para pessoas com baixa visão e vermelha e branca para pessoas surdocegas.
Quem fornece a bengala longa no Brasil?
A Lei nº 14.951/2024 determina que o Sistema Único de Saúde (SUS) forneça a bengala longa na cor solicitada pela pessoa usuária, conforme os critérios previstos na legislação.
Baixa visão é o mesmo que cegueira?
Não. Na baixa visão existe uma perda visual significativa, mas a pessoa mantém algum grau de visão útil. A experiência visual e as limitações decorrentes da condição variam de pessoa para pessoa.
Toda pessoa com baixa visão precisa usar bengala?
Não necessariamente. As necessidades variam conforme a condição visual, as atividades realizadas e as barreiras enfrentadas pela pessoa. A indicação de recursos de reabilitação deve considerar as necessidades individuais.
Quando é o Dia Internacional da Bengala Branca?
O Dia Internacional da Bengala Branca é celebrado em 15 de outubro. A data busca ampliar a conscientização sobre autonomia, mobilidade, acessibilidade e inclusão das pessoas com deficiência visual.
Como ajudar uma pessoa que utiliza bengala?
Pergunte primeiro se a pessoa deseja ajuda e como prefere ser auxiliada. Não presuma que toda pessoa que utiliza bengala precisa de assistência, pois o grau de autonomia e as necessidades são individuais.
Referências
- Brasil. Lei nº 14.951, de 5 de agosto de 2024. Instituto Benjamin Constant. Disponível em: https://www.gov.br/ibc/pt-br/centrais-de-conteudos/ibc-170-anos/por-dentro-do-ibc/equipamentos/bengala
- Agência Gov. Sancionada lei que define cores de bengala para identificar níveis de deficiência visual. Disponível em: https://agenciagov.ebc.com.br/noticias/202408/sancionada-lei-que-define-cores-de-bengala-para-identificar-niveis-de-deficiencia-visual
- OPAS/OMS. Organização Mundial da Saúde lança primeiro relatório mundial sobre visão. Disponível em: https://www.paho.org/pt/noticias/8-10-2019-organizacao-mundial-da-saude-lanca-primeiro-relatorio-mundial-sobre-visao
- Nações Unidas Brasil. Relatório mundial sobre visão. Disponível em: https://brasil.un.org/pt-br/84351-organiza%C3%A7%C3%A3o-mundial-da-sa%C3%BAde-lan%C3%A7a-primeiro-relat%C3%B3rio-mundial-sobre-vis%C3%A3o
- Hospital de Clínicas da Universidade Federal de Uberlândia. O Serviço de Baixa Visão no Ambulatório de Oftalmologia. Disponível em: https://eventos.ufu.br/sites/eventos.ufu.br/files/o_servitho_de_baixa_visoo_no.pdf
- Hospital de Olhos de Blumenau. Disponível em: https://hob.med.br

